Vozes Femininas: as sonoridades da violência contra as mulheres e seus possíveis impactos psicossociais
A violência sonora pode se manifestar através de sons intensos, timbres distorcidos e ritmos acelerados, que desenvolvem comportamentos e efeitos negativos nas pessoas que os escutam. A exposição prolongada a es- sas sonoridades nocivas pode gerar sentimentos como depressão, ansiedade, tristeza, humilhação e outras consequências psicossociais indeléveis. Nesta perspectiva, a discussão tem como objetivo provocar uma reflexão sobre as sonoridades negativas a partir de três produtos audiovisuais: o filme Sound of Violence, de Alex Noyer (2021), o curta-metragem O Buraco, de Zeudi Souza (2022), e a série Ela Quer Tudo, de Spike Lee (2017). Por meio da metodologia qualitativa de análise fílmica, foram eleitas as categorias de espaço social, constrangimento, sonoridades e produtores das sonoridades, a fim de compreender de que maneira as sonoridades violentas participam da construção e da manutenção de estruturas de opressão contra mulheres negras. Os resul- tados evidenciam que a violência sonora, ao atravessar o corpo e o ambiente, reforçam mecanismos históricos de silenciamento e dominação patriarcal e racial. Contudo, os filmes analisados também apontam para a possibilidade de resistência e reconfiguração simbólica do som como agente político e espaço de denúncia. Assim, o estudo contribui para ampliar a compreensão das dimensões sonoras da violência de gênero e para destacar o papel da escuta crítica como instrumento de enfrentamento e reconstrução identitária.